A periodontite é uma das doenças bucais mais prevalentes no Brasil e no mundo, afetando cerca de 50% da população adulta em algum grau. Trata-se de uma infecção bacteriana crônica que atinge os tecidos de suporte dos dentes — gengiva, ligamento periodontal e osso alveolar — podendo levar à perda dentária se não tratada adequadamente.

O mais preocupante é que a periodontite frequentemente progride de forma silenciosa, sem causar dor significativa nas fases iniciais. Muitos pacientes só procuram o dentista quando os sintomas já estão avançados, tornando o tratamento mais complexo e custoso.

O Que é Periodontite

A periodontite é a evolução da gengivite não tratada. Enquanto a gengivite afeta apenas a gengiva superficial e é reversível, a periodontite compromete as estruturas mais profundas que sustentam os dentes. A infecção provoca a formação de bolsas periodontais — espaços entre a gengiva e o dente onde bactérias se acumulam — e a destruição progressiva do osso alveolar.

A doença periodontal é causada por bactérias presentes na placa bacteriana e no tártaro (cálculo dental). Quando a higiene bucal é deficiente, essas bactérias proliferam e desencadeiam uma resposta inflamatória do organismo que, paradoxalmente, acaba destruindo os próprios tecidos de suporte.

Para entender melhor a fase inicial da doença, recomendamos a leitura do nosso artigo sobre gengivite: sintomas, tratamento e prevenção.

Fatores de Risco

Embora a higiene bucal inadequada seja a causa principal, diversos fatores aumentam o risco de desenvolver periodontite. O tabagismo é o fator de risco mais significativo, aumentando em até 6 vezes a probabilidade de doença periodontal grave. A nicotina reduz o fluxo sanguíneo na gengiva, compromete a resposta imunológica e dificulta a cicatrização.

O diabetes também tem relação direta com a periodontite. Pacientes diabéticos com controle glicêmico inadequado apresentam maior prevalência e gravidade da doença. A relação é bidirecional: a periodontite pode dificultar o controle da glicemia, e o diabetes descontrolado agrava a doença periodontal.

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Outros fatores de risco incluem predisposição genética, estresse crônico, alterações hormonais (gravidez, menopausa), uso de certos medicamentos que causam xerostomia (boca seca) e condições sistêmicas que afetam o sistema imunológico.

Sintomas da Periodontite

Fase Inicial

Na fase inicial, os sintomas são sutis e frequentemente ignorados. Sangramento gengival durante a escovação ou uso do fio dental é o sinal mais precoce. A gengiva pode apresentar coloração avermelhada mais intensa que o normal, inchaço discreto e sensibilidade ao toque.

Muitos pacientes acreditam que o sangramento gengival é "normal" durante a escovação — mas não é. Gengivas saudáveis não sangram. Se você percebe sangramento frequente, é hora de agendar uma consulta com o dentista.

Fase Moderada

Com a progressão da doença, os sintomas se tornam mais evidentes. A gengiva começa a se retrair (recessão gengival), expondo parte da raiz dos dentes e causando sensibilidade. Aparecem espaços entre os dentes que antes não existiam, e pode haver mau hálito persistente (halitose) que não melhora com a escovação.

A formação de bolsas periodontais profundas (acima de 4mm) é característica dessa fase. Essas bolsas são detectáveis apenas pelo dentista, através de um exame chamado sondagem periodontal. Para saber mais sobre halitose, confira nosso artigo sobre mau hálito: causas e tratamento.

Fase Avançada

Na periodontite avançada, a destruição óssea é significativa. Os dentes ficam com mobilidade (amolecidos), a mastigação torna-se dolorosa e pode haver formação de abscessos periodontais com dor aguda, inchaço e secreção purulenta. A perda dentária é o desfecho natural se o tratamento não for realizado.

Diagnóstico

O diagnóstico da periodontite é realizado pelo dentista ou periodontista (especialista em doenças periodontais) através de exames clínicos e radiográficos.

Exame Clínico

O profissional realiza a sondagem periodontal utilizando uma sonda milimetrada para medir a profundidade das bolsas em torno de cada dente. Valores de até 3mm são considerados normais; acima de 4mm indicam presença de bolsas periodontais. Também se avalia o sangramento à sondagem, a presença de tártaro subgengival, a mobilidade dentária e a recessão gengival.

Exame Radiográfico

Radiografias periapicais e panorâmicas permitem avaliar o nível de destruição óssea ao redor dos dentes. A comparação com o nível ósseo esperado para a idade do paciente ajuda a determinar a gravidade da doença e a planejar o tratamento.

Tratamento da Periodontite

Fase Higiênica (Tratamento Não Cirúrgico)

O tratamento inicial consiste na raspagem e alisamento radicular (RAR), procedimento no qual o dentista remove mecanicamente o tártaro e a placa bacteriana das superfícies das raízes dentárias, inclusive abaixo da linha da gengiva. O procedimento é realizado sob anestesia local e pode necessitar de várias sessões, dependendo da extensão da doença.

Paralelamente à RAR, o paciente recebe orientações detalhadas sobre técnicas de escovação e uso do fio dental. A instrução de higiene oral é fundamental, pois sem a cooperação ativa do paciente, qualquer tratamento periodontal tende a fracassar.

Em alguns casos, o dentista pode prescrever antibióticos sistêmicos ou locais (aplicados diretamente nas bolsas periodontais) para complementar o tratamento mecânico. Enxaguantes bucais com clorexidina também podem ser indicados temporariamente.

Fase Cirúrgica

Quando o tratamento não cirúrgico não é suficiente para eliminar as bolsas periodontais profundas, procedimentos cirúrgicos podem ser necessários. As opções incluem cirurgia de retalho (para acesso direto às raízes e ao osso), regeneração tecidual guiada (para estimular a formação de novo osso e tecido de suporte) e enxerto ósseo.

A decisão sobre a necessidade de cirurgia é tomada após a reavaliação, que ocorre 4 a 6 semanas após a conclusão da fase higiênica. Muitos casos de periodontite moderada respondem bem ao tratamento não cirúrgico, sem necessidade de procedimentos invasivos.

Terapia de Suporte (Manutenção)

Após o tratamento ativo, o paciente entra na fase de manutenção periodontal, com consultas regulares a cada 3 a 4 meses. Nessas consultas, o profissional realiza nova sondagem, remove tártaro acumulado e reforça as orientações de higiene.

A manutenção periodontal é para toda a vida. A periodontite é uma doença crônica que pode recidivar se o acompanhamento for interrompido. Pacientes que abandonam a manutenção têm risco significativamente maior de perder dentes no médio e longo prazo.

Relação da Periodontite com Doenças Sistêmicas

Pesquisas recentes confirmam a relação entre periodontite e diversas doenças sistêmicas. Pacientes com doença periodontal têm maior risco de doenças cardiovasculares, pois as bactérias periodontais podem entrar na corrente sanguínea e contribuir para a formação de placas ateroscleróticas.

A associação com diabetes é particularmente relevante. O tratamento periodontal eficaz pode melhorar o controle glicêmico em pacientes diabéticos, reduzindo os níveis de hemoglobina glicada em até 0,4%. Isso demonstra que a saúde bucal e a saúde geral estão intimamente conectadas.

Outras condições associadas incluem parto prematuro, artrite reumatoide, doença de Alzheimer e doenças respiratórias. Embora a relação causal nem sempre esteja definitivamente comprovada, as evidências são suficientes para reforçar a importância do tratamento periodontal na manutenção da saúde geral.

Prevenção da Periodontite

A prevenção é a melhor estratégia contra a periodontite. Uma rotina de higiene bucal eficiente, combinada com visitas regulares ao dentista, é capaz de prevenir a doença na maioria dos casos. Para saber mais sobre técnicas corretas de higiene, confira nosso guia sobre escovação correta passo a passo.

A escovação deve ser realizada pelo menos duas vezes ao dia, com escova de cerdas macias e creme dental com flúor. O uso diário de fio dental é indispensável para remover a placa bacteriana entre os dentes, área que a escova não alcança. Escovas interdentais podem ser úteis para pacientes com espaços maiores entre os dentes.

O abandono do tabagismo é a medida individual mais impactante para reduzir o risco de periodontite. Ex-fumantes apresentam melhora significativa na saúde periodontal já nos primeiros meses após a cessação.

Perguntas Frequentes

A periodontite tem cura?

A periodontite pode ser controlada e estabilizada com tratamento adequado, mas a destruição óssea já ocorrida geralmente não é completamente reversível. Em alguns casos, procedimentos regenerativos podem recuperar parte do osso perdido. O objetivo do tratamento é interromper a progressão da doença, manter os dentes funcionais e prevenir recidivas. Por isso, a detecção precoce é fundamental — quanto antes o tratamento começar, melhor o prognóstico.

Periodontite é contagiosa?

As bactérias causadoras da periodontite podem ser transmitidas através da saliva, por exemplo em beijos ou compartilhamento de utensílios. No entanto, a simples presença das bactérias não significa que a doença irá se desenvolver. Fatores como genética, sistema imunológico e qualidade da higiene bucal determinam se a infecção progredirá para doença. Ainda assim, é recomendável que parceiros de pacientes com periodontite realizem avaliação periodontal.

Quanto custa o tratamento de periodontite?

O custo varia conforme a gravidade da doença e o profissional. A fase higiênica (raspagem e alisamento radicular) custa entre R$ 800 e R$ 2.500, dependendo do número de sessões necessárias. Procedimentos cirúrgicos, quando indicados, podem custar entre R$ 1.500 e R$ 5.000 por região tratada. Planos odontológicos podem cobrir parte ou todo o tratamento não cirúrgico, tornando-o mais acessível.

Quem tem periodontite pode fazer implante dentário?

Sim, mas somente após o tratamento e estabilização da doença periodontal. Implantar dentes em uma boca com infecção ativa é contraindicado, pois o risco de peri-implantite (infecção ao redor do implante) é muito alto. Pacientes com histórico de periodontite precisam de acompanhamento periodontal rigoroso antes, durante e após a colocação de implantes para garantir o sucesso do tratamento a longo prazo.